quinta-feira, 29 de maio de 2008

Estalo

Não era nenhum tipo de meta-momento, mas ela ansiava por vivê-lo e conseguia gozar da instabilidade que o não saber lhe proporcionava. No fundo, ela sabia que sobreviveria àquele momento e a tantos outros que estariam por vir, mas gostaria de colocar em prática o aproveitar da singularidade de cada instante.


O latejar do corpo sempre quis dizer alguma coisa e, talvez fosse nesse momento que sentia impregnar o amanhã já carimbado. Lugar onde se viu cicatrizar, distante ou perto, além do tremor da pele. Contudo, estampado no passado, na memória, nas lembranças tão acessíveis, porque ainda que o tempo parasse, não rasgaria o ontem, o pedaço, e até a convicção do hoje.


Ela sabia que no cantinho sobreviveria ao menos uma parte do que fez sorrir, do que fez viver, do que faz mulher. E com toda vontade andou em seus passos curtos, mas depressa quando julgou necessário, e tão consciente de que a felicidade não sai do lugar, de modo que já não sentia medo do repouso, das mãos atadas, da vontade estagnada.
Mesmo se pudesse se servir do mesmo gole, assim faria para sentir o mesmo murmúrio fresco de uma noite que poderia ser qualquer se ela quisesse, quando menos escolhia para fazer parte dos momentos 'negritados' de sua vida.


Então ela não quis espalhar os ruídos pelos quatro cantos do quarto, entretanto abriu a janela pra ver a imensidão entrar. Tão logo, se entregou pra imensidão.


Ela olhou pro infinito do querer, do alcance imprevisível e do vazio sem por que. Calculou quanto tempo restava para mais alguns abraços, para o afago que vento sopraria sem prever, a alegria do saber, a incógnita do não querer. Esboçou um sorriso enigmático e se fez perguntas sem se preocupar com as respostas, certa de que nem sempre precisa delas.


Fechou os olhos, compartilhou de um emaranhado de sonhos e resistiu a uma infinidade de vozes que não fosse à do coração, porque ele bate ritmado e talvez pudesse lhe restar apenas algumas horas.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Sobre alguns passos

Mesmo que eu tentasse prever, eu jamais saberia. Mesmo que o contrário persistisse no meu contar o tempo, nenhum ponteiro diria que seria justamente ali.
 

E ainda que o calendário me revelasse com um círculo urgente sobre o acolhimento quase imbecil, eu sei que resistiria e escolheria o esquecimento momentâneo. Porque de fato, eu nunca esqueço.
 

Na verdade eu sinto que a minha própria vida em sua estratégia contra mim mesma planejou vagamente o caminhar do meu lado atado, incapaz e covarde. E até penso que pode não ser tão ruim pensar nisso, afinal, sempre tive certeza do lado que se joga, mesmo muitas vezes com medo de ser feliz. E não consigo, nem sei se quero adivinhar quantos lados a vida tem no meu perder de contas...
 

Sem me importar com a próxima madrugada ou com o bom dia triunfante do meu amarelo favorito, esqueci dos passos curtos, mas rápidos. Os passos que vi se estranhar algum tempo antes, sob as mesmas pernas saltitantes, presenciando o revezar junto aos poucos passos de quem sei, embora o meu saber, seja o que nunca sabe ao certo.
 

Não sorrir quando não sei o que fazer, é sinônino do meu auto riso depois, mesmo que permaneça intacta a embriaguês de emoção alternada, meio descontrolada, seguida dos monólogos silenciosos que quase têm hora marcada nos meus dias.
 

É como se eu soubesse que esses pés vão sempre pertencer a uma menina tola, às vezes patética, desastrada, que se embaraça com pouco, embora o pouco pra ela seja muito.



Contudo, eu adoro ser eu. *em cores, ou não! =]

quarta-feira, 21 de maio de 2008

SP, 21/05/08 - O dia está...

Sobe outlook! Good morning!
Uma mensagem perguntando se dormi bem.
Um bem casado de presente em cima da minha mesa.
Amigos que dão risada das minhas graças sem graça!
Códigos sortidos pelo telefone em solidariedade!
Bilhetinhos.
Respostinhas.
E-mail exclusivo.
Segredinhos.
Sol, sol, sol.
Dia lindo!

E ainda é quarta com cara de sexta! :)

terça-feira, 20 de maio de 2008

Pausa constante

Eu adoro andar pelo contrário, mas juro que é inconsciente.
Aí eu me atiro, me jogo em voltas que parecem não ter fim.
(até ficar bem tonta! bem mais!)
E não é difícil me perder no meio do caminho...

(eu sempre me perco)
Faria até um drama se soubesse o final, mas não sei de nada.
Gosto mesmo do original, o rascunho me soa muito ‘demodê’!
Além disso, gosto dessa sensação de que não quero esquecer.
Acho ótimo pensar que daqui a pouco eu vou voltar nos minutos de ontem.

E tic tac passa a hora.
E tic tac passa o tempo.
Logo, mais uma vez, todos os pensamentos se voltam pra mim.


Agora, Thaís sua brega, desce e volte ao trabalho! =p

segunda-feira, 19 de maio de 2008

In


A gente merece um pouco de romantismo e ele faz falta nesse mundo caótico...


Agora só falta chocolate quente (a modernidade congela qualquer ambiente meu senhor!)


Pronta para gozar da minha instabilidade feminina.



Nostálgica e irresoluta.
(ninguém me aguenta!)

sexta-feira, 16 de maio de 2008

O preferido!

E eu não contei dos meus braços incrédulos enroscados,
surgindo além do sorriso e depois da escuridão!


Uma caixinha de surpresas (ou mais)
Um monte de pequenos gestos...

Acho que posso ser movida por coisas muito simples...



Ah, eu adoro não ter que explicar nada! =]
"Aquele abraço"!

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Mundinho paralelo!

Às vezes, eu tenho medo de mim mesma e das minhas variáveis por minuto .
Ou da minha cabeça de vento. Ou dos meus pensamentos insanos. Ou da quantidade de ou 's que impregna.
Não sei se gosto do medo disfarçado, mas gosto do medo de que tudo possa ser só mais um pouco do que não foi.
Gosto do coração aos saltos porque se fica quieto, eu penso que queria mais.
O corpo avulso da falta e da saudade é ruim, mas ao mesmo tempo é bom.
E acho que também gosto dessa sensação de não saber o que fazer por não consiguir sequer mover o corpo do lugar.
O cheiro da pele me traz uma certa embriaguez mansa e eu considero algo bem parecido com o que chamo de paz.
E isso me move pra um mundo paralelo de onde não quero ser resgatada nunca mais!

Não me chama porque não vou descer! lá lá lá lá lá!



quarta-feira, 14 de maio de 2008

Em: cantos!

O que algumas pessoas não vêem, talvez seja o que há de mais encantador nas minhas reticências e nos meus medos. Nos anseios disfarçados ou no sorriso implícito ou negado. Na admissão dos atos extremos e no alto teor de intensidade que vasa por todos os lados. É bem ali que se esconde a cumplicidade e o meu desamparo, o meu absolutismo e até meu afago. É onde perpetua segredos, pecados dolosos, ventania e trovões, estalar de dedos, o desejo glorioso ou vergonhoso. Há de continuar sendo requinte, mentiras confessadas, convite subentendido, inseguranças fracionadas, palavras suspeitas e vício talvez inofensivo. Para sempre a mesma essência, a linha reta e contramão, receio, culpa dividida, verbo compartilhado. A saltitante de segunda de manhã, do amanhã de sonhos, vontade desenfreada, eco de algum grito, sede quase nunca saciada, reflexo no espelho, ângulo que quero preciso. Ainda que seja o encanto da pequena, eu serei a desproporcional teimosa que carrega o que não cabe no coração porque sinto sempre que posso dar conta. A paciência que cansa, cisma do talvez e nunca, entrelinhas, alívio momentâneo, vontade de desvendar e dividir encantos.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Não sei por que!

Eu também não sei por que, mas às vezes, eu queria banir completamente todos eles.

Não me lembro quando exatamente peguei cisma, mas lembro-me bem que em uma aula de inglês, há alguns anos, questionei sobre to, at, in the e congêneres e a professora me disse: Thaís, sem por quês! São regras. E eu acho que a partir dali, descobri que também não gosto de um tanto de regras.


Falando bem a verdade, eu não sei mais que nome tem e menos ainda a cor que se apossa sobre as coisas. Acaba por ultrapassar o tempo, a velocidade, reflete, embaça os olhos, engasga a fala. Mas ao mesmo tempo diz tudo de uma única vez, e todas as perguntas, aquelas infindáveis e muitas vezes sem razão alguma de ser, causa constrangimento em mim mesma diante de argumentos isentos de porque. Até porque, talvez nada tenha que ser explicado.


Eu sei que não sabe o porquê e menos ainda se ele existe, afinal, ele pode estar só na minha cabeça prestes a explodir de tanta informação ou falta de. Mas a intuição feminina na maior parte mulher de mim diz saber e eu não sei se gosto, mas quero acreditar nisso. E embora eu não saiba, eu sei.

Sei também que segue dentro de todas as palpitações cegas e até nas que vêem além. Caminha cegamente, surda, sem espera e indiferente do que eu quero que seja, porque eu já não sei decidir mais nada e sinto como se as minhas mãos estivessem atadas. É lá dentro que está a tal intuição insone e palpável que faz sentir olhos abertos no escuro do quarto, momento em que os meus não se atrevem a abrir porque sabe que estão famintos dos seus.


Continua o círculo que me tapa os olhos e os ouvidos.


Nos pequenos momentos de desespero eu abrevio e não interrogo, a não ser pelos não raros instantes em que a certeza da insuficiência e da acidez embalam 'soquinhos' no estômago e tento enxergar a todo custo e em qualquer canto do meu existir, uma resposta que não abra diante de mim um enorme abismo.


Tenho dúvidas se isso pode cravar surtos de porque no seu escuro e se alguma parte do alguém se faz ninho repleto de alguma falta, que é em mim ausência certa e implacável.


De fato não sei a palavra, a frase, o código e não vou patentear o que já vi ou ouvi pelas beiradas, porque dessa vez eu sei que é inaudível e nada vai me parecer certo.


E o porquê quero que tudo soe como abre-te-sésamo, pode ser apenas uma vontade irrefreável do que eu não posso dizer, por que de novo, eu não sei.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Prova de Amor!

Ninguém mais vai dizer: vou te tirar da minha vida!
Vai deletar do orkut!

Eu realmente me divirto com esse mundo pós moderno! hahaha



Desejos


Desejo a você
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não Ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu...


CARLOS DRUMMOND

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Me derruba ou me jogo?!

— E você, por que desvia o olhar?
(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarra-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)
— Ah. Porque eu sou tímida.

Rita Apoena

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Sessão da tarde

Apesar de esquisito, ainda me parece bom não saber qual adjetivo usar e a certeza nunca absoluta do próximo passo. Mas continuo sendo capaz de dizer tudo sobre mim sem pronunciar uma palavra sequer, me fazendo ler mesmo que nas entrelinhas, sem peso ou constrangimento da humanidade que nos aproxima. Porque ela sempre se aproxima.
Sobre as feridas eu não sei mais e, por falar em cicatrizes elas acabaram tornando-se vestígios do ontem, prontas para fazer parte de uma história qualquer e que eu sei, ainda ei de contar, afinal, eu adoro uma lenda e o platônico.

O medo da responsabilidade que se opunha por conhecer sobre tais fragilidades, endereço e as voltas pelo lado de lá, já não sabe se faz parte de mim ou de um arquivo jpg., talvez já inexistente. Arquivos são tão fáceis de ser destruídos não é mesmo?! Mas eu sou gente, e agora eu não só quero o inteiro, como também não aceito a metade. Quero, e sem me preocupar com o que se perdeu pelos cantos afora , porque tantas vezes o perdido não merece ser encontrado.


Me embaça os olhos, e me pergunto se minha clareza não te cegou. Porque eu na verdade, sempre desejei que ali pousasse a luminosidade como se as minhas vontades não fossem determinar aquilo que amanhã talvez não poderá mais ser. E isso faz com que inflame aquela ânsia estranha latejante que me resgata do resto do mundo , capaz de fazer transitar dores ou prazeres noturnos durante um dia inteiro sem um minuto de recuo.

Há um momento em que eu temo que minha participação seja como de praxe, desde que tive noção da minha existência baseada em vôo que tem hora marcada para a queda e que vou me esfacelar mais uma vez. E eu sei que como sempre, vou juntar os pedaços e jurar auto preservação. Contudo, certa de que quando estiver inteira novamente, vou cheia de vontade dar de ombros com o mundo.
Às vezes é como se a minha vida me espiasse do lado de fora, com uma cara enigmática de quem sabe o que está por vir e o que deveria ser feito, e se regozija com a minha ignorância enrustida . Ainda consigo me pegar pensando se o meu cronograma insano vai ou não ter alguma coisa a ver com a maneira exata para sentir o meu corpo pisoteado de decepção ou de felicidade.

Monólogo silencioso...

Não vou falar sobre a falta e saudade ou qualquer tipo de distância.
Não vou contar sobre algum aperto no peito ou alguma ânsia.
Não vou dizer o que rouba o sono ou o que faz dormir melhor.
Não vou decifrar pensamentos, não quero idéias brilhantes.
Nada disso!
E nada de vocabulário.
Nada de sentimento sem nome.
Nada do que não tem explicação.
Porque no fim das contas tudo que desvendava muito, não quer dizer absolutamente nada.
E está tudo perfeito como está!

terça-feira, 6 de maio de 2008

Infinito de nós dois

Meu poeta eu hoje estou contente
Todo mundo de repente ficou lindo
Ficou lindo
Eu hoje estou me rindo
Nem eu mesma sei de que
Porque eu recebi
Uma cartinhazinha de você
Se você quer ser minha namorada
Ai que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exatamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ser
Você tem que me fazer
Um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarinho
Essas histórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber porque

E se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida ‚ nada
Sem a qual se quer morrer
Você tem que vir comigo
Em meu caminho
E talvez o meu caminho
Seja triste pra você
Os seus olhos tem que ser só dos meus olhos
E os seus braços o meu ninho
No silêncio de depois
E você tem de ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois

Vinícius de Moraes

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Colecionando sonhos

O tempo sempre disse sobre o sorriso escandaloso, nada ponderado e sem explicação. Da menina rodopiando pelas frestas do dia, poetizando palavras e sonhando com o mundo bem maior que uma laranja. Não poder pegar o mundo com as mãos talvez tenha sido uma das primeiras decepções e certamente tenha culpado a aula de ciências.
O desejo de abraçar tudo em uma fração de segundo era bonito, mas a surpresa de sentir algo que suspeitava ser tão perfeito tornava mais afável o tempo e ele só. E fazia do só, mais alguns, enquanto deslumbrava a multiplicação das horas junto com o que não caberia em uma caixa qualquer, mas que se alojava dentro do peito.
O chão de terra libertou sorrisos e nunca quis disfarçar lágrimas. Sorrisos do outro e com o outro, mas muito mais da própria história, porque sobretudo, sempre soube rir de si mesma com vontade e sem medo. Os choros mais secretos, os contidos ou os das histórias que o mar sempre levou ou que a fada do sono fez dormir, contudo, tantas vezes não conseguiu fazer esquecer.
A mesma menina que embora quisesse ser corajosa e cheia de força, sempre deixou que vissem suas feridas e contou sobre suas fragilidades. Aquela das vontades do tempo estancado, da distância bem menor, da cabeça de vento, das mãos trêmulas que emaranhava os cabelos.
Ela hoje tem tantas histórias e consegue contá-las com grandeza os fatos porque têm certeza de que absolutamente todos eles a tornam uma pessoa cada vez mais próxima do que espera um dia ser. Com a mesma avidez nos olhos, inventando memórias e colecionando sonhos.


A mesma da alegria simples e cômoda,
que vê morar nos seus olhos todos os sonhos do mundo.
Igual ou quase, apenas com uns (poucos) centímetros a mais!