segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

VT

Embora existam várias situações já vividas antes, ainda me deixo impressionar e deixar com que tenham um peso enorme sobre mim. Assim como não é nada que eu não tenha vivido antes, não é o que eu já não tenha escrito antes: relatos do que já senti. Percebo o que pontua minha vida e pra onde eu sou jogada ou me atiro e, apesar disso, continuo a sagitariana até no fio de cabelo e que sempre quer vibrar a vida dois tons acima do que parece normal.



Extremos que faz chorar o inferno que está por vir, intensidade que me leva ao limite que não presuponho, e aí quando penso que sei algo sobre controle, me sufoco sem perceber que alguém quer todos os meus ângulos e pouco interessa se é reprise.



Eis aqui a mesma: alguém que acredita demais, que confia inclusive no tempo. A mesma que se embola nas palavras por que quer dizer todas juntas e de uma vez só, que vê infindáveis argumentos e razões, que quer explicar tudo embora seja tão transparente.



Apesar de tanta insuficiência e da embriaguez que a fragilidade traz, amanhã eu vou ter coragem de ser a mesma do relance mais velho no espelho, e isso não vai abrir em mim enormes abismos.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Fim do dia

E aí, quando você acha que é a mosca que ronda o coco do cavalo, vem alguém pra dizer: "eu gosto de você, você é especial, sinta o meu abraço".

Pronto.
Vou dormir muito, muito melhor.

Inquietude

Sempre fui do tipo que se tem que provar mais de uma vez que não vale a pena pra eu desistir. Às vezes eu insisto. Porque tem aqueles milhares de sintomas feminino que nos diz que vale a pena e blá blá blá...
Acho que sempre faltou realidade também. Choque de realidade, sabe? Doses cavalares de provas, evidências, indícios, lógica...
A gente gosta de viver de história. De mentira. E adora esperar.
Eu odeio não entender.
Eu sempre prefiro conversas esclarecedoras, por pior que elas sejam. Eu sempre prefiro a sinceridade mesmo que amarga. Dói e passa. 
A dúvida consome, persiste.
Eu odeio perdoar e não esquecer.
Eu queria que hoje fosse amanhã. Ou alguma coisa desse tipo.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Uma carta para tristeza

Companheira, sei que vc vai chorar quando ler esta carta. Vai ser difícil para mim, pois me acostumei à sua presença, porém não vejo mais motivos para continuarmos juntas.
Perdi anos de minha vida ao seu lado, tristeza, acreditando que o amor não existe e o mundo não tem jeito. Vc é péssima conselheira.
Chegou a hora de dar chance à alegria, que há muito tem mostrado interesse em passar um tempo comigo.
Desde criança, abro mão de muita coisa por vc. Festas a que não fui porque vc não me deixou ir, paisagens lindas nas quais não reparei porque vc exigiu de mim total atenção.
Quero de volta meus discos de dance music, que vc tirou da prateleira. E minhas roupas estampadas, que sumiram do meu armário depois que vc se instalou aqui.
Quero ver a vida por outros olhos, que não os seus. Quero beber por outros motivos, que não afogar vc dentro de mim.

Como disse Lulu hj de manhã no carro a caminho do trabalho: Não te quero mal, apenas não te quero mais.

Fernanda Young