quinta-feira, 12 de março de 2009

A Lista

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?
Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?

Oswaldo Montenegro

terça-feira, 10 de março de 2009

Indefinido

Há dias em que o mundo te olha diferente, em que as horas parecem te engolir, te fazer minguar, encolher, até sentir o peso do desamparo. São como os minutos intermináveis dos questionamentos confusos e sem respostas de - quase - sempre.

Há dias em que a solidão não resiste à armadura e se reúne com os mais discretos segredos - àqueles que eu quis contar só pra você.
Indescritivelmente, é como se nestes dias não existisse rotas de fuga ou bote salva-vidas. São dias marcados de vazio e descrédito. Mas não menosprezo os momentos de insight, junto da possibilidade de se libertar da vida onde tudo ao redor parece de plástico.

Existem sentimentos - os mesmos que nos sustenta às alturas, apesar de todas as limitações. E existe também o estourar da bolha - que não importa onde, quando ou quem o fez - que lindamente faz sentir o que não se esgota, o desmedido, o que fortalece. Existem ainda, combinações feromonas e surpresas, de expectativa e telefonema, do pronunciamento que ninguém mais pode saber, do tremor adolescente, da vontade de contar para os quatro ventos, de como é bom lembrar.

Inexplicavelmente, o mundo que antes abocanhava e mensurava a probabilidade de ser razoavelmente contente, falha - e faz a vida transbordar você, sem medo ou constrangimento, mostrando a possibilidade de ser estarrecedoramente feliz.

Neste momento, eu consigo notar que razoavelmente contente não é o bastante, e me condeno ao desejo inderrogável de encontrar a fórmula, o verbo, o jeito e o gesto.
E mesmo que todos os ruídos tentassem desviar meus pensamentos, exprimiria todos os contornos, os sentidos -mesmo os desdenhados. Porque o meu desejo é sempre o que transborda, sem dias estranhos e palpitações que não se prevê.

Nego as regras porque minha vida sempre foi isenta delas e não sei se a preferência é para que o coração fale ou cale - mas ainda que em algum momento me falte fôlego, desejo que seu ar saiba me respirar até eu não caber mais em mim.

Eu me perco nas contas e peço com toda força, para que quando finalmente toda estranheza se acabar, ainda consiga te enxergar nos meus olhos - com sabedoria presente para dar todos os próximos passos certeiros, embrulhados de sonhos destemidos.

Em avante e sem pedreira, com fortaleza e sem talvez, confiante e sem metades, com sede de aconchego e sem limite pra viver.
Com toda mania de não querer, querendo duas vezes mais.