segunda-feira, 14 de julho de 2008

A chegada

Logo que coloquei meus pés ali, pensei sobre a dúvida que havitava meu peito dias antes, mas a interrogação já não cabia naquele espaço tão superior do afago antes do adeus.
 
Naquele momento eu aboli todas as vírgulas, os parênteses, os senões, os quem sabes ou qualquer genial estratégia que já havia rondado os meus pensamentos, quando a vontade de quero tudo e agora de você, inteiro e para sempre, tomava conta do meu pedaço mais atado e incapaz.
 
Ali estavam meus anseios mais disfarçados, a vontade mais reprimida, o choro mais contido e a saudade mais confessa.
 
E como se eu já soubesse o próximo passo, o alto teor da intensidade vasava por todos os lados, nu, cru, com todos os gestos escondidos no meu desamparo. Bem ali se escondia meu medo fracionado, ventania e os trovões, o desejo da palavra e da voz que o a mente não conseguia ecoar.
 
Aquela calçada tentou dizer e eu me esforcei para esboçar o sorriso de final de noite. Repeti algumas vezes as mesmas frases jurando acreditar que minhas palavras infames teriam alguma força sobre mim - no quarto, no banheiro, no banho, na chuva, no choro.
 
Mas eu o via nas entrelinhas e na vontade de dividir todos os encantos, ainda que eu prometesse que seria diferente a cada vez que eu passasse por aquela placa lembrete; mais de cinco vezes naquele vai e vem perturbador.
 
Eu almejava um lugar mais distante dali, mais quieto e silencioso, mais aconchegante, mais cheio do seu olhar. Forjando imprecaução das minhas certezas nunca certas, desejando de novo a resposta sólida, doce e sustentável, com a vontade mais asfixiante que já senti.
 
Faltava o constante depois do alívio momentâneo, das 'palavras-surpresa' e dos meus olhos fechados perpetuando segredos. Bem além da voz de todos os dias, da sede saciada a conta-gotas, da insegurança indefesa, da vontade de querer mais. Dois passos além do olhar que não cala, da voz que não fala, do abraço que quer dizer, das mãos que sinto suar, do lábio que vejo tremer, do coração que sinto palpitar, do corpo que dá nó, do mundo que não pára de rodopiar...

Um comentário:

Michele disse...

Dona Princesa do Castelo, passei pra dizer que qualquer pontinha de intensidade no seu coração surte ótimo efeito sobre as palavras. E que te ler traduz um pouco de sentimento que cada um de nós, seres humanos apaixonados por natureza, já sentimos algum dia de nossas vidas!


Um beijo enorme,
Amo, amo!