terça-feira, 24 de junho de 2008

O ontem de vários

Em algum momento eu deveria ter suspeitado. Mas não. Eu me permiti esperar pela chegada sem hora marcada, porque eu consigo ver delicadeza onde não tem. Vi sorrisos se desdobrarem no manso caminhar bem próximo de mim. Dei meus braços para que desejasse também meus melhores abraços.
 

Deixei que você entrasse onde moram os meus pedaços e habitam os meus sonhos. Tão logo, eu senti meu corpo dormente de felicidade porque no fundo, eu sabia o tamanho do atrevimento que cabia em qualquer pote que não fosse o meu.
 

Antes que eu pudesse descrever meu amanhecer você já morava no hábito estranho de qualquer anoitecer. É como se adivinhasse sobre detalhes que eu nunca soube, mergulhando no fundo de mim mesma e arrastando para perto de você meus olhos úmidos do infinito cheio de ondas, porque sem elas, nada parece certo. E seria lindo resgatar as lembranças em lugar nenhum e outro lugar, se existisse um ponto de partida. E um ponto qualquer existiria, ainda que você tivesse dito que não.
 

Logo eu sinto que me atrapalha por se atrapalhar nas suas próprias referências, que na verdade, não são suas, tão pouco as que deseja se espelhar. Sei sobre o mundo completo e estranho cheio de medo entre o sentido e o racional que te fizeram acreditar, quando não experimentar é ser capaz de se esconder numa bolha para ver se isso o defende do mundo.
 

E tudo o que eu sei é sobre extremos que eu quis viver, assim que descobri que o sentimento é bem menos que tamanho e medidas, mas que pode ser inteiro. Porque sentimento só o é, se podemos sentir sem polegadas e sem tempo, nada que se possa apropriar em tese ou que exista em livros didático. 

Enquanto eu tento me apossar do equilíbrio do meu cheio na tentativa de não transbordar, você participa aí do lado de fora, olhando pela janela - tão mais calmo, tão simples, bem mais seguro, mas ainda assim, eu diria que não - obrigada, porque esse lado é pra mim, muito cheio de vazio.

3 comentários:

Maria Fernanda disse...

Menina, quanta intensidade em cada linha que por mim foi lida. Parecia tão romântico e terminou tão "muito bem, obrigada".

Perfeito.

Sem mais.

Gabriela Melo disse...

Eu gosto de lugares cheios de vazios.
Neles eu me encontro.

Gostei do seu jeito de escrever.
é verdadeira a cada linha.

Seu blog tem charme, moça.
BjO.

Tiago disse...

Perspicaz com as palavras, desprendida do tempo.

Tiago esteve por aqui...